Responsabilidade Social

Compartilhar:

Durante muito tempo, até os anos 1990, as atividades benéficas de uma empresa para a sociedade eram qualificadas, genericamente, como cidadania empresarial: uma idéia em que se misturavam tanto práticas relacionadas à condução ética e responsável do próprio negócio como práticas de investimento social, filantropia e mesmo o mero assistencialismo. Com a globalização acelerada da produção, do consumo, das comunicações e dos fluxos financeiros e comerciais internacionais – juntamente com a evolução do movimento pela sustentabilidade – ficou cada vez mais clara a enorme responsabilidade das empresas em garantir que esse rápido e vigoroso desenvolvimento econômico não implicasse em prejuizos para a sociedade como um todo, ou para o meio ambiente de que todos dependemos. Ficou claro, também, que era preciso estabelecer claras distinções entre essas responsabilidades e as contribuições voluntárias que algumas empresas faziam para causas sociais ou ambientais.

Em outras palavras, ficou evidente que era inaceitável uma empresa se apresentar como "boazinha" por fazer doações para pessoas carentes ou manter uma reserva natural para espécies ameaçadas, ao mesmo tempo em que mantinha práticas condenáveis em suas atividades produtivas e comerciais, tais como a exploração de trabalhadores, o desrespeito a consumidores ou a geração de poluentes, por exemplo.

Foi para deixar clara essa distinção que surgiu o conceito de responsabilidade social, hoje aplicado não só a empresas, mas também a organizações de todos os tipos, inclusive do governo e da sociedade civil, como as ONGs. Assim, quando se fala de práticas relacionadas aos impactos positivos e negativos das atividades usuais de uma organização, o que está em jogo é a sua responsabilidade social. Quando o assunto é um "extra", uma contribuição voluntária da empresa ou organização em benefício da sociedade, trata-se de outra forma de cidadania empresarial, geralmente investimento social privado ou filantropia.

Um importante marco nessa história foi a publicação, em 2010, da ISO 26000: a norma internacional de responsabilidade social. Esse documento permanece até hoje como a mais importante referência mundial no tema, trazendo uma definição consagrada de responsabilidade social, e também explicações sobre os seu temas centrais, práticas relacionadas e muitas outras orientações. A norma em português pode ser baixada neste link, e uma cartilha explicativa sobre o programa brasileiro de certificação em responsabilidade social está disponível neste outro link.